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Na Quinta dos Corações

- Maio 17, 2015 -

Chego à Quinta do Arneiro, em Mafra, e vejo corações espalhados pela casa principal, em vários tamanhos, cores e materiais. Os corações aparecem das formas mais inesperadas. Automaticamente, sinto uma profunda sensação de relaxamento a percorrer o meu corpo.

A proprietária, Luísa, recebe-me de braços abertos. Mostra o quarto em que ficarei hospedada, que é lindo, decorado com bom gosto dentro do estilo rústico.

Aliás, toda a casa prima pelo bom gosto e a decoração honra a história das várias gerações que por ali passaram. Tanto ela quanto os filhos mostram criatividade na preservação deste espaço onde partilham um sonho conjunto.

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Luísa conta que no que respeita à agricultura biológica, há que ser paciente, pois nada é como queremos. Tudo leva o seu tempo. Mas “cinco minutos no campo, podem ser realmente terapêuticos”. Acompanham-na a família e também vários funcionários, que trabalham no campo, no escritório, e na preparação dos produtos ali cultivados, os quais seguem para os postos de venda em mercados aos sábados (Príncipe Real, Campo Pequeno, Cascais) e lojas. São também distribuídos cabazes a domicílio, conforme solicitação dos clientes. O trabalho é muito na quinta, mas a alegria e o contacto com a natureza levam-nos a terem boas cores e uma imensa energia.

Diz ainda que será a própria natureza a obrigar-nos a parar de produzir lixo. Para este tipo de agricultura, é fundamental preparar e tratar bem da terra. “É como tratar do nosso corpo. Devemos prevenir as doenças, fortalecendo a imunidade em vez de tomar comprimidos”. Com a agricultura biológica também é assim: “Temos que ter as hortas saudáveis”.

Estamos à mesa. A Luísa e os filhos começam a falar, preocupados, sobre a compra de perus biológicos. Estranho a conversa e, ingenuamente, pergunto: “Para que querem os perus?”. Eles respondem em coro, com ar estupefacto: “Para o Natal!”. Acho ainda mais estranho que, em Fevereiro, já estejam a pensar no Natal. Faço um comentário de tom urbano: “Vocês são como os estilistas, a prepararem-se para a Moda Lisboa ou o Portugal Fashion, sempre à frente das colecções”. Risada geral! Quem trabalha na agricultura, pensa sempre adiantado. Semeia-se em Junho e planta-se em Setembro para colher no Natal. E isto se quisermos ter couves para acompanhar o peru.

A conversa alonga-se e inclui várias curiosidades do mundo rural. “Olhe que espiga, espiga… Já espigaram, vão espigar…” Fiquei assim a saber que o espigar é quando a planta dá a flor e que essa flor dará a semente que faz com que a planta se reproduza. É o eterno ciclo da natureza.

Entre refeições e conversas inspiradoras, passeios pelas hortas, e após uma noite bem dormida no silêncio do campo, acordo de coração cheio. Acredito que ganhei anos de vida na Quinta do Arneiro. E que vou, com certeza, continuar com a minha investigação sobre alimentação biológica. Dia 24 de Maio, será o “dia aberto” da Quinta do Arneiro. Fiquem atentos.

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Roupa: Escada

Jóias: Swarovski    

Cabelos: Vânia Quitério Metrostudio

Maquilhagem: Sandra Almeida

Fotos: Rui Alves

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